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Mateus Leme

Biblioteca Básica

Boa literatura, sem firula

Em um buraco na terra, vivia um hobbit…

"O Hobbit", de J. R. R. Tolkien, é a maravilhosa introdução a uma das mais extraordinárias obras de aventura já escritas

Martina Mc Auley em CC BY 2.0
Martina Mc Auley em CC BY 2.0

Um professor de filologia em Oxford, apaixonado por cultura nórdica e por idiomas antigos, resolveu escrever uma história infantil para contar a seus filhos. Esta foi a origem de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, publicado nos anos 1930. O autor não sabia, na ocasião, que estava compondo o início de um dos maiores épicos da literatura inglesa moderna. O livro (que foi avaliado pelo filho de um dos editores, o qual recomendou a publicação dizendo que “deve agradar a crianças entre 5 e 9 anos”) foi imediatamente aclamado como um grande sucesso, levando a editora pedir com insistência a Tolkien que escrevesse uma continuação, que foi o extraordinário O Senhor dos Anéis, ao qual voltaremos sem falta qualquer dia destes.

A primeira recomendação que devo fazer é que se ignore a lambança feita por Peter Jackson ao cair na tentação de transformar o filme do Hobbit em uma trilogia, apesar da excelente interpretação individual de Martin Freeman. Grande, imenso erro, que não tira o mérito da ótima trilogia cinematográfica de O Senhor dos Anéis. Assim, se possível, não assistam, ao menos não antes de terem lido o livro original. Se já assistiram, façam um esforço temporário para esquecê-lo, pois vocês estão entrando em uma história bastante diferente.

Dito isto, qual ler primeiro? O Hobbit ou O Senhor dos Anéis? Devo confessar que li O Senhor dos Anéis antes, mas recomendo a todos os que puderem que façam o contrário, pelas razões que vou explicar a seguir.

O Hobbit, para começar, é mais fácil de ler, pois é, por assim dizer, pintado sobre uma tela menor. Como foi escrito para crianças, tem uma sequência de eventos mais simples e menos grandiosa do que sua continuação, que Tolkien desenvolveu para encaixar-se na mitologia de um mundo de fantasia extremamente complexo. Em O Hobbit, a linha narrativa é uma só, e acompanha a evolução interior de Bilbo Baggins, de burguês acomodado até tornar-se um verdadeiro herói. Nesse processo, surgem informações importantes que depois serão retomadas com mais profundidade em O Senhor dos Anéis, como o encontro do próprio Anel no interior da montanha, a descrição do trágico e perverso vilão Gollum e a apresentação de uma parte da geografia da Terra Média com seus povos tão diferentes entre si, como os hobbits, anões, elfos, orcs e homens. Há, além disso, um humor encantador, leve e ingênuo, que não caberia em O Senhor dos Anéis, e que se expressa em cenas como a da chegada inesperada de um tropel anões na casa de um Bilbo estupefato, ou em momentos como a captura dos anões por um grupo de trolls.

Mesmo sendo um livro infantil, entretanto, O Hobbit é uma história generosa, que transcende idades, e pode ser lida com encanto da mesma forma por adultos ou crianças. A nobreza de alma, a luta do bem contra o mal, as aventuras muito bem encadeadas saltam das páginas para a imaginação, em um fluxo constante e rico em detalhes. É um exemplo maravilhoso de “nivelação por cima”, em que o autor trata as crianças como os seres inteligentes que são, e não como débeis mentais, e consegue dessa forma elevar todos os seus leitores, tenham a idade que tiverem.

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