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Mateus Leme

Biblioteca Básica

Boa literatura, sem firula

Deuses, guerras e heróis

Para entender a cultura ocidental, é preciso conhecer os gregos. E, para isso, é fundamental conhecer um pouco sua riquíssima mitologia

Martin Sotirov em CC BY 2.0
Martin Sotirov em CC BY 2.0

Poderíamos imaginar nossa cultura ocidental como uma espécie de cegonha, a grande cegonha ocidental que ao longo dos séculos nos trouxe o bebê do conhecimento em seu bico. Seria uma imagem curiosa. No entanto, é importante considerar que, como todas as cegonhas, ela costuma repousar sobre uma única perna. Em nosso caso, esta perna é a cultura grega.

Quase tudo o que temos na filosofia, literatura, teatro, e mesmo boa parte das ciências exatas, tem uma raiz firmemente fincada na Grécia. Os romanos, é verdade, desenvolveram o direito, mas tudo o que se referia à cultura vinha dos gregos, inclusive os seus deuses. Também o cristianismo, quando surgiu e espalhou-se alguns séculos depois, adotou conceitos filosóficos e modos de raciocinar diretamente baseados nos gregos. A literatura mundial nunca teria sido a mesma sem a Ilíada e a Odisseia. No teatro, os próprios termos que usamos — protagonista, antagonista, tragédia, comédia — vêm do teatro grego.

Por isso, fica fácil de entender que, se você quer formar uma biblioteca básica minimamente decente, terá de conhecer alguma coisa dos clássicos gregos.

Ora, não dá para entender os clássicos gregos sem conhecer um pouco de sua raiz, que é a religião grega ou, como dizemos, a mitologia grega. É um emaranhado de deuses e semideuses que poderia sem problemas passar por uma novela de TV dos nossos dias (às vezes com a mesma qualidade moral, inclusive), mas que era a forma como os antigos buscavam explicar vários aspectos do mundo. Não digo nada sobre a mitologia romana, porque uma e outra são basicamente a mesma coisa; basta mudar os nomes dos deuses para sua versão romana.

Então, como fazer para ganhar alguma noção de quem foram Zeus, Afrodite, Poseidon e Hermes, ou, para usar seus nomes romanos, Júpiter, Vênus, Netuno, Mercúrio, e o resto dos planetas? Quem foi Pandora (a da caixa, não o site), e quem foram os Titãs (não a banda, e nem o grupo de super-heróis)?

Uma sugestão bastante clássica é o tratado de mitologia de Thomas Bullfinch. Relata em prosa e com capítulos curtos as principais histórias da mitologia grega. Para quem gostar, é uma opção muito boa; sua desvantagem é que, para quem chega totalmente zerado e sem contexto, pode parecer um pouco seco e cansativo depois de algum tempo. Mas não quer dizer que vá acontecer com você. Se quiser tentar, vá em frente! No pior dos casos, pode ser usado como um livro de consulta.

Para quem não estiver na vibe de encarar um tratado, e deseja tentar de forma mais leve, uma sugestão excelente, embora possa surpreender alguns, é Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, na série do Picapau Amarelo. É o maior livro da série e, em minha opinião, o melhor. Os personagens do sítio vão parar na Grécia heroica e acompanham Hércules ao longo de seus doze trabalhos. No meio disso, Lobato consegue introduzir uma quantidade muito, mas muito grande de mitologia grega. É possível aprender muitas coisas, de forma leve, e de quebra se lê uma grande obra da literatura infantil nacional (ainda vou fazer um post sobre a série do Picapau Amarelo, qualquer dia).

Sei que o post de hoje é um pouco “lição de casa”, mas sem as bases não se pode construir nada que preste. Como você pretende ler Prometeu Acorrentado sem saber quem o acorrentou e por quê? Ou como entender qual foi o lance de Aquiles com o calcanhar, ou de Ícaro com o sol?

Se formar esta base sólida, entretanto, um verdadeiro (e admirável) mundo novo vai se abrir à sua frente, e pode ser que, depois disso, mesmo ao reler obras modernas você redescubra várias coisas novas. Bom proveito!

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