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Educação dos filhos

Antes de escolher a escola de seu filho, conheça 9 metodologias de ensino

É tempo de matricular as crianças na escola e, para isso, é importante saber as diferenças entre as mais variadas correntes de ensino adotadas para instituições educacionais. Separamos as nove mais difundidas

Está aberta a temporada de matrículas nas escolas de todo o país. O momento é oportuno para conhecer escolas e avaliar qual delas está mais próxima da realidade da sua família. Isso porque há uma série de metodologias e formas de aplicação do conhecimento e é fundamental que a expectativa dos pais esteja de acordo com a proposta da escola. Visite o local, converse com pais que têm seus filhos matriculados lá, leve as crianças para conhecer também e prepare uma lista de perguntas para não esquecer de nenhum detalhe importante.

O Sempre Família separou informações sobre as principais metodologias de ensino disponíveis em escolas brasileiras e quais suas principais características. Confira a forma de trabalho de cada uma delas:

Freiriana

Nesta pedagogia, baseada nos conceitos de Paulo Freire, os aspectos culturais, sociais e humanos do aluno devem ser levados em conta. Essa postura implica ouvir o aluno para ajudá-lo a construir confiança, para que ele possa entender o mundo por meio do conhecimento.
Segundo Freire, o conhecimento faz sentido para o estudante quando o transforma em sujeito que pode transformar o mundo. Bom senso, humildade, tolerância, respeito, curiosidade são alguns dos princípios defendidos por essa corrente. A educação se torna uma ferramenta para “libertar” o aluno. A pedagogia de Paulo Freire não prevê provas, mas a escola pode ter avaliações.

Tradicional

Aplicada na maioria das escolas do Brasil e, principalmente, nas escolas laicas, o que predomina é o ensino centrado no professor, que é um transmissor de cultura. O estudante tem metas a cumprir dentro de determinados prazos, que são verificadas por meio de avaliações periódicas. Quem não atinge a nota mínima necessária no conjunto de avaliações ao longo do ano que está cursando é reprovado e tem de refazê-lo. É comum que essas escolas usem apostilas e cartilhas, que estabelecem o quanto a criança deve aprender em cada ano.

Esse modelo de ensino foi difundido pelas escolas públicas francesas a partir do Iluminismo (séc. 18). Pretendiam universalizar o acesso ao conhecimento para formar cidadãos. É uma filosofia que valoriza a quantidade de conteúdo ensinada, e as escolas que a adotam são voltadas para o sucesso do aluno em provas como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular.

Escola comportamentalista

Nessa pedagogia, o professor tem como tarefa controlar o tempo e as respostas dos alunos, dando-lhes feedback constante. O aluno é visto como alguém que pode aprender a partir de estímulos, que são recompensados, caso os objetivos sejam alcançados. A concepção comportamentalista tem foco na técnica, no processo e no material postos em jogo. O ensino deve ser bem planejado, com materiais instrucionais programados e controlados. O objetivo é que os resultados possam ser mensurados e que o estudante adquira os comportamentos desejados, moldados segundo necessidades sociais determinadas. O processo de avaliação é feito por provas, semelhantes às da linha tradicional.

Construtivista

Nas instituições que seguem os princípios construtivistas – baseadas na proposta de Jean Piaget – o conhecimento é ativamente construído pelo sujeito e não passivamente recebido do professor ou do ambiente. Cada estudante é visto como alguém com um tempo único de aprendizado e o trabalho em grupo é valorizado. Nas escolas construtivistas, são criadas situações em que o estudante é estimulado a pensar e a solucionar problemas propostos.

Também há provas e reprovação nessas instituições. No construtivismo a principal meta é criar seres capazes de fazer coisas novas e não repetir, simplesmente, o que as outras gerações fizeram. Seres que sejam criadores, inventores e descobridores. A segunda meta é formar mentes que tenham condições de criticar e não aceitar tudo que lhes é proposto. Além disso, a teoria de Piaget defende que o professor não deve apenas ensinar, mas, acima de tudo, orientar os alunos para uma aprendizagem autônoma.

Montessoriana

Criada pela médica italiana Maria Montessori, na metodologia montessoriana a criança deve buscar sua autoformação e construção. Os adultos precisam ajudá-la nesse processo, favorecendo o desenvolvimento de indivíduos criativos, independentes, confiantes e com iniciativa. Na sala de aula, as crianças escolhem as atividades que querem fazer e a atenção deve estar nas tarefas a serem cumpridas. O professor é um “guia” que remove obstáculos à aprendizagem e isola as dificuldades da criança, respeitando o ritmo de cada aprendiz e sem intervenções indevidas. As classes têm crianças de idades diferentes e há incentivo para o trabalho em grupo. Todos os estudantes são estimulados da mesma maneira.

Para auxiliar na aprendizagem, Maria Montessori criou vários materiais. Um dos mais famosos é o Material Dourado, composto por cubos, placas, barras e cubinhos, que têm o objetivo de facilitar o entendimento das operações matemáticas. Outras características são a disposição circular da sala de aula, as prateleiras com jogos pedagógicos acessíveis aos alunos, materiais sensoriais que estimulam os sentidos. Pode ter provas ou não, de acordo com a escola. Quando não há provas, a avaliação é feita a partir dos registros que o professor tem sobre a produção do aluno. No final dos ensinos fundamental e médio pode haver monografia.

Tendência democrática

As escolas democráticas são baseadas na Escola Summerhill, nascida na Inglaterra, e são consideradas uma crítica à educação tradicional, que teria base no “medo e no controle baseado em ameaças veladas, presenças obrigatórias e outras imposições”. A ideia fundamental é a liberdade de escolha dos alunos. Matemática, por exemplo, pode ser aprendida ao entender como se monta uma bicicleta e essa “lição” pode ter sido sugerida pelo aluno.

Os alunos não são “obrigados” a assistir às aulas obedecendo um cronograma comum, único. Eles escolhem as atividades a fazer de acordo com seus interesses. Para avaliar os alunos, procura-se abolir também lições de casa e provas; a avaliação é feita por sua participação e por trabalhos que podem ser escritos, artísticos etc.

Waldorf
Na metodologia de ensino Waldorf, desenvolvida pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, procura-se equilibrar os aspectos cognitivos com o desenvolvimento de habilidades artísticas, musicais, de movimentação e de dramatização. Considera-se cada aluno como um ser único, que deve ser acompanhado de forma próxima.

O trabalho é feito em três âmbitos do desenvolvimento da criança: físico, social e individual. Os alunos são divididos em faixas etárias e não em séries, pois Steiner acreditava que cada idade tem necessidades específicas a serem atendidas. O aluno estuda com a mesma turma e com o mesmo professor dos 7 aos 14 anos. Como o ritmo biológico não pode ser alterado, não há repetência. O método dá igual importância às formações ética, estética e acadêmica.

São aplicados testes e provas em algumas matérias, especialmente no ensino médio, e, em alguns casos, nas últimas séries do ensino fundamental. Mas a avaliação do aluno também engloba a execução de trabalhos, o grau de dificuldade que o estudante tem com o assunto, o empenho em aprender e o comportamento.

Os pais recebem avaliações trimestrais com a descrição da atitude de seus filhos diante das tarefas solicitadas no período. No ensino fundamental, o currículo inclui astronomia, meteorologia, jardinagem, artes e trabalhos manuais, como tricô e crochê, além das disciplinas obrigatórias.

No ensino médio, há currículos integrados de humanidades (história, geografia, literatura), de ciências (física, biologia, química, geologia, matemática), de artes e ofícios (com modalidades como tecelagem e encadernação), artes dramáticas, educação física e línguas estrangeiras.

Freinet

Nas instituições que colocam em prática conceitos do pedagogo francês Célestin Freinet, o aprendizado acontece por meio do trabalho e da cooperação. Criador do Movimento da Escola Moderna, na França, que se caracteriza por sua dimensão social, Freinet acreditava que a criança tem que ser vista não como um indivíduo isolado, mas como parte de uma comunidade e jamais ser marginalizada, principalmente quando fizer parte de classes menos favorecidas. Ele dizia que, “se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos”.

Nesse tipo de escola, a criança é incentivada a compartilhar suas produções com os colegas, sejam eles de sua classe, de outras ou de escolas diferentes. As avaliações levam em conta o progresso do aluno em comparação ao seu desempenho anterior e não em relação com os demais. Estudos de campo (aulas em que os estudantes são levados em algum lugar específico para aprender determinada matéria, como um parque, por exemplo), elaboração de jornais em grupo e debates são atividades comuns em escolas que se identificam com o pensamento de Freinet, que valoriza o desenvolvimento da capacidade de análise pelos estudantes.

Optimist

Esse método de ensino foi proposto pelo Fomento Centros de Enseñanza, uma instituição fundada na Espanha em 1963, por um grupo de pais, profissionais e educadores. No projeto Optimist desenvolvido para a Educação Infantil (0-6 anos), adota-se o princípio da educação personalizada, idealizada pelo pedagogo espanhol Víctor García Hoz, que respeita o aluno como pessoa singular e com ritmo próprio desde a educação infantil, levando-o a alcançar o máximo de desenvolvimento.

Sua proposta inclui estratégias voltadas para o desenvolvimento completo da criança: corpo, inteligência, afetividade e sociabilidade. A participação dos pais é muito importante e eles passam por um sistema de formação com o objetivo de ter em casa uma continuidade do que acontece na escola. Os professores também recebem formação específica para adquirir uma percepção educativa refinada.

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